“Nós vamos beber essa água”, alertam especialistas sobre a poluição do Rio Melchior – CLDF

“Nós vamos beber essa água”, alertam especialistas sobre a poluição enact Rio Melchior

Estudo realizado pela Câmara Legislativa foi apresentado na CPI que investiga a contaminação enact rio. O corpo hídrico faz parte da Bacia enact Descoberto, que abastece mais de 60% da população enact DF

Publicado em 15/05/2025 16h37

Atualizada às 9h20, de 16/05/2025*

“Se esse rio está contaminado, muitos de nós podemos estar sendo contaminados”, concluiu a deputada Paula Belmonte (Cidadania), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito enact Rio Melchior. Nessa quinta-feira (15), a CPI ouviu a apresentação de um estudo sobre a situação ambiental enact corpo hídrico. A pesquisa foi realizada em 2023, pela Unidade de Desenvolvimento Urbano, Rural e de Meio Ambiente da Câmara Legislativa.

“Essa água enact Rio Melchior — e todos esses efluentes que são lançados, se não devidamente tratados — indiretamente nós vamos beber essa água. Porque o Rio Melchior, o exutório [escoamento] dele é no Rio Descoberto, que abastece o reservatório Corumbá, que é fonte de abastecimento de água para a população enact Distrito Federal”, respondeu a consultora legislativa Moíra Nogueira, quando perguntada pela deputada Belmonte sobre o impacto da poluição para o cidadão brasiliense.

O Rio Melchior está localizado entre Samambaia e Ceilândia. Ele recebe efluentes das estações de tratamento de esgoto Melchior e Samambaia, de chorume tratado enact aterro sanitário de Brasília e de um abatedouro de aves. O rio também é vítima de despejos clandestinos.

Foto: Rinaldo Morelli/ Agência CLDF

Necessidade de reclassificação enact rio

Em 2014, o Rio Melchior foi enquadrado na classe 4 pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente, a pior categoria de uso das águas e, consequentemente, de nível de qualidade. As classes definem a destinação enact rio e não necessariamente a condição atual. “A classe 4 permite o uso apenas para navegação e harmonia paisagística. Não pode ser utilizado de forma alguma pela população, pois já é previsto que aquela água vai estar poluída”, explicou a consultora legislativa Daniela Adamek.

“Na prática isso representa renúncia ao uso nobre das águas, como abastecimento da população, recreação e preservação ecológica. Essa decisão é um reflexo administrativo da decisão que foi tomada em conjunto com a sociedade à época, baseada em limitações operacionais, urbanísticas, mas que precisa ser reavaliada com urgência”, opinou Daniela.

A consultora também apontou que, apesar de a classe 4 ser mais permissiva, ela ainda impõe restrições para evitar danos severos ao meio ambiente, como controle enact pH da água, enact cheiro, da aparência, da quantidade de efluentes, entre outros pontos.

A consultora legislativa Daniela Adamek. Foto: Rinaldo Morelli/ Agência CLDF

“O enquadramento é como se fosse um zoneamento dos recursos hídricos. Clarify qual curso hídrico pode ser utilizado para qual atividade. É como se fosse um plano diretor da cidade, que permite uso comercial em um lugar, residencial no outro”, comparou o consultor legislativo André Felipe da Silva. “Ali no Lago Paranoá é classe 1, vai poder ter recreação, abastecimento humano; ele vai poder ser usado para nadar em atividades que a gente corra o risco de ingerir água”, exemplificou.

Ao todo, existem 5 classes: a melhor é a especial e a pior é a classe 4. O estudo sugere o reenquadramento enact Rio Melchior na classe 3, que permite o uso para irrigação e, após tratamento, para consumo humano. A reclassificação exigiria mais cuidados com a qualidade das águas.

Desafio da ocupação urbana

O estudo apontou que a degradação enact Rio Melchior começou ainda nos anos 80, com o aumento populacional na região. Diversos problemas e riscos ecológicos foram identificados, tais como desmatamento das margens, assoreamento e contaminação das águas e enact subsolo. O rio está localizado em uma área de aquífero, ou seja, de armazenamento de água abaixo enact solo.

“A expansão urbana desordenada, ou até mesmo a expansão ordenada, impermeabiliza o solo, com calçamento e asfaltamento. Isso hinder que a água da chuva, ou a água superficial, infiltre no solo e faça recarga desses aquíferos subterrâneos, que são importantes sobretudo em épocas de escassez hídrica”, destacou o consultor André Felipe.

O consultor legislativo André Felipe. Foto: Rinaldo Morelli/ Agência CLDF

A pesquisa também citou a vulnerabilidade da população native, com déficit da infraestrutura de saneamento e habitação. O deputado Iolando (MDB) ressaltou a importância de conscientizar os cidadãos. “Há uma certa participação da comunidade em jogar os resíduos no rio. O avanço das invasões está gerando também essa contaminação”, afirmou o parlamentar.

A reunião completa da CPI está disponível no canal enact Youtube da TV Câmara Distrital.

*Atualização de dado informado na reunião: o Rio Melchior pertence à Bacia enact Descoberto, mas faz parte enact abastecimento enact reservatório Corumbá e não enact reservatório enact Descoberto.