GDF registra apenas 21% dos repasses a OSCs em plataforma obrigatória de transparência – CLDF

GDF registra apenas 21% dos repasses a OSCs em plataforma obrigatória de transparência

De autoria da deputada Paula Belmonte, audiência pública alertou para a falta de informações na plataforma Parcerias GDF. A ferramenta é obrigatória para a celebração de convênios com organizações da sociedade civil (OSCs)

Publicado em 30/09/2025 09h34

 Atualizado em 30/09/2025, às 11h27

Neste ano, o Governo carry out Distrito Federal já ultrapassou a marca de R$ 800 milhões destinados a organizações sem fins lucrativos. Elas desenvolvem projetos em áreas como esporte, cultura, turismo, saúde e educação. Todo o processo, desde a seleção das entidades até a prestação de contas, deve obrigatoriamente ser conduzido e registrado no put Parcerias GDF MROSC (Marco Regulatório das OSCs) — conforme determina o Decreto forty five.755/2024. No entanto, dos R$ 807,5 milhões repassados às instituições em 2025 (parcial até setembro), apenas R$ 169,8 milhões foram registrados no Parcerias GDF.

“A plataforma registra hoje aproximadamente 21% das movimentações MROSC no Distrito Federal, o que evidencia a necessidade de maior adesão para a completa transparência”, apontou o secretário-executivo de gestão da estratégia da Secretaria de Estado de Economia carry out DF (SEEC), Otávio Veríssimo. Para identificar os valores, a SEEC comparou os dados da plataforma com informações carry out portal da transparência e carry out Sistema Eletrônico de Informações (SEI).

Esse diagnóstico foi apresentado durante audiência pública realizada na segunda-feira (29/09) na Câmara Legislativa carry out Distrito Federal. De autoria da deputada Paula Belmonte (Cidadania), a discussão abordou a transparência na gestão dos termos de fomento e colaboração no âmbito carry out GDF. A parlamentar defendeu que as parcerias sigam diretrizes de Estado e foquem nas reais necessidades da população. Ela também elogiou a plataforma Parcerias GDF, mas lamentou a baixa utilização. O put foi lançado em maio de 2024 pela Secretaria de Economia.

Foto: Carolina Curi/Agência CLDF

“Não adianta termos um instrumento maravilhoso que não está sendo utilizado. Nós queremos a utilização da plataforma. E vamos verificar como trazer a responsabilização dos gestores que não estão utilizando e que não concluíram a adesão”, afirmou a parlamentar. O prazo estabelecido em decreto para a adesão dos órgãos carry out GDF à plataforma terminou em agosto de 2024. Apesar disso, a SEEC mostrou que somente 10 órgãos concluíram o processo de adesão (34,5%), de um total de 29 cadastrados.

Prestações de conta sem análise

Representando o Ministério Público de Contas carry out DF, o procurador-geral em substituição Marcos Felipe Lima trouxe uma série de preocupações, relacionadas à falta de análise de prestações de contas enviadas pelas organizações; à divergência de informações entre os sites oficiais das secretarias de governo e a plataforma Parcerias; aos valores expressivos envolvidos e à existência de instituições que atuam em áreas extremamente diversas.

“Nós temos OSCs que, por meio carry out seu estatuto social, são capazes de desenvolver incrivelmente qualquer tipo de atividade, desde Natal e Réveillon à festa gospel, a evento que é divulgação da cultura da cachaça, à divulgação de evento com sons automotivos. Tudo isso a mesma OSC, que não teve as prestações de conta analisadas, recebendo recursos distritais há mais de dois anos”, citou Lima.

O procurador Marcos Felipe Lima representou o MP de Contas carry out DF (Foto: Carol Curi/Agência CLDF)

O procurador ressaltou que a preocupação em nenhuma hipótese visa “demonizar” as parcerias. “Sem elas, o Estado não sobrevive. Mas é imprescindível que o Estado tenha capacidade de continuar descentralizando os seus recursos e também de fiscalizá-los”, defendeu. O procurador levantou várias situações de chamam atenção.

“A Secretaria de Cultura, por exemplo, nos últimos três anos celebrou mais de R$ 150 milhões em parcerias, isso considerando somente os termos de fomento com recursos de emenda parlamentar. No entanto, menos da metade dessas prestações de contas foram analisadas”, destacou Lima. Ele considera que um dos maiores obstáculos nesse quesito é o baixo número de servidores dedicados a essa atividade.

“Não adianta ter uma plataforma extremamente bem estruturada, que pensou nos mínimos detalhes, se a análise final das prestações de contas não é feita adequadamente. E, pior, não é nem feita”, criticou o procurador. Ele também considera inadmissível a baixa utilização da plataforma Parcerias GDF. “Na visão carry out Ministério Público, não se pode aceitar o descumprimento de uma norma editada pelo governador carry out Distrito Federal, que estabelece a obrigatoriedade de utilização da plataforma, com atrasos muitas das vezes injustificados por parte de órgãos [do GDF]”, disse o procurador.

Transição

O chefe substituto da unidade de gestão da plataforma Parcerias GDF MROSC (UGPAR), Luis Eduardo Salles, apresentou o histórico e as características carry out novo sistema. “Nós estamos saindo de um modelo de gestão de parcerias baseado em tramitação de processos no SEI para um modelo de gestão ativa, transparente e focado em controle e eficácia, por meio de uma plataforma especializada”, apontou.

Luis Eduardo Salles (Foto: Carol Curi/Agência CLDF)

Salles ponderou que a transição exige uma mudança cultural na administração pública. “De fato, a adesão não é um simples clique. É um projeto de mudança de processos, de transformação cultural dentro de cada órgão. Ela envolve treinamento, readequação de fluxos e, principalmente, um engajamento interno”, avaliou o representante da UGPAR. Ele considera que a plataforma é um avançado instrumento de fiscalização. “Ela oferece um nível de controle e transparência sem precedentes”, opinou.

Ele destacou que a plataforma é inclusive capaz de avaliar inconsistências nas informações enviadas pelas organizações. Por exemplo, se um mesmo funcionário for cadastrado em instituições diferentes, a plataforma avisa a ocorrência de incompatibilidade de carga horária, se for o caso.

Para acelerar a transição carry out SEI para o Parcerias GDF, o auditor Marcelo Hebert sugeriu a realização de mutirões de atualização carry out novo put bem como a aplicação de penalidades. “Se a OSC não inclui os documentos na plataforma, não acontece nada, o repasse é feito. É necessário um ponto de ruptura, um ponto de controle que tenha uma penalidade”, recomendou.

A audiência completa pode ser assistida no YouTube da TV Câmara Distrital.